Fio de Ariadne

BRUMADINHO

A questão humanitária é algo tão grandioso e transcendente, e para mim, de difícil explicação. Enquanto ainda estudante, talvez terceiro ou quarto ano de faculdade, fui seduzida pelo Projeto Tucuruí, a famosa construção da Hidrelética em plena expansão os seus arredores  povoados desordenadamente, então buscaram mão de obra qualificada, porém os salários não eram convidativos. Buscaram então estudantes de todas as áreas para atenderem à demanda.

Encantada, levei a maravilhosa ideia aos meus pais que de imediato discordaram. Como  viver num lugar tão remoto, ermo e desconhecido, uma “menina” sozinha no meio do mato? Aceitei conformada os argumentos deles e continuei minha vida estudantil por São Paulo mesmo.

Os anos passaram, muita coisa aconteceu  no mundo e claro, na minha vida.

Poucos dias atrás, recebo mensagem convidando profissionais da área da Psicologia para fazerem parte de uma força tarefa no atendimento às famílias e profissionais envolvidos no resgate das vítimas de Brumadinho/MG.

Leio, releio a mensagem, pondero e, conclusão certeira: as pessoas que lá se encontram precisam de todo um acolhimento em detrimento à tragédia ou crime como muitos insistem em dizer, e eu concordo plenamente.

Me inscrevo no site mencionado pois penso que algo de relevante deve ser feito. Não que não o faça no meu dia a dia no consultório ou serviços que presto fora dele, mas, UAU! esta é uma experiência incrível em termos de valores humanitários.

Logo em seguida à minha “inscrição” alguém me alerta que esta mensagem seria mais um fake das redes sociais.

Paguei mico? Muito podem pensar que sim, mas eu certamente sei que não. Fiz o que estava dentro das minhas convicções e foi uma escolha assertiva. Se lançaram mão de mais uma bobagem, esta bobagem ficará com quem a lançou.

O que me importa é saber que estou com o coração leve e pronto a atender aquele que precisam, seja lá em Tucuruí, em São Paulo, em Brumadinho, no Rio de Janeiro…

Interessante que a memória de uma suposta intenção de Tucuruí, me fez tomar consciência que, por mais que quisesse realizar algo, aquilo era mais um encantamento juvenil, de desejar desbravar o mundo.

Brumadinho, é um chamamento muito forte no sentido do desapego. Estar disposta a me afastar da minha vida de certa forma confortável, numa cidade que oferece muitos entretenimentos, cultura e conhecimento e com desapego e peito aberto, me embrenhar na lama literal para o enfrentamento da dor humana.

É este o chamado, estar pronta para entrar na crueza da vida.

Vida, estou pronta!

 

 

Um comentário em “BRUMADINHO”

  1. Boa tarde amiga. Parabéns pelo belo texto, muito profundo. E lindo ao mesmo tempo. Trazendo átona, a sua juventude, o seu ímpeto de guerreira. Que é, quebrando tábua, trazendo as pessoas pra realidade, sem máscaras,sem óculos escuros. Está é você amiga. Você deveria escrever um livro. Brava sou sua Fã.

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