Fio de Ariadne

POLUIÇÃO SONORA

A construção antiga, porém sólida, com cômodos espaçosos, arejados, oferecendo conforto aos seus habitantes. Sistemas hidráulico e elétrico  funcionando na mais perfeita ordem. Um achado mesmo. Acomodação perfeita para uma família. Contrato assinado. Mudança agendada. Todos felizes e esperançosos.

Nos primeiros dias, acomodação da mudança e da família. A adaptação ocorre gradativamente.

Tudo transcorre bem até que…

Opa, um vizinho resolve montar uma marcenaria.

Imagine caro leitor, ouvir o dia todo o barulho de serra elétrica.

A poluição sonora é tamanha que assistir TV passa a ser um martírio. Diálogos não mais existem naquela família, qualquer conversa mais parece uma briga. O rádio em alto volume a competir com a serra elétrica.

Quando a noite cai, o silêncio passa a ser um elemento difícil de transitar, um elemento de estranhamento sem igual. Ninguém mais o reconhece.

A poluição sonora gera entre tantos males a quem a ela fica exposto, o estresse, a sensação de fadiga, a perda de audição, a depressão, a agressividade, a perda de atenção e concentração, a perda de memória, dores de cabeça, aumento da pressão arterial, gastrite e úlcera, queda no rendimento escolar e/ou trabalho.

Entende-se então que a poluição sonora provoca danos físicos e comportamentais a quem fica à sua exposição. Afeta a qualidade de vida  das pessoas no seu entorno.

E como resolver a situação? Entrar em conflito com o vizinho que está trabalhando? Talvez ganhe o silêncio, mas perde-se a amizade do vizinho.

Quantos outros ruídos são provocados e gerados nos entornos das pessoas e elas não se dão conta? Convive-se com um mal, e este mal passa a ser um hábito, algo que impregna e é considerado normal, natural.

É natural, caro leitor, acordar com barulho de serra elétrica? Com vozes de funcionários, porque a esta altura a marcenaria contratou vários funcionários, que na suas lidas não se dão conta que precisam quase berrar uns com os outros para serem ouvidos?

É um sistema tão enervante este do trabalho sem um prévio planejamento, quando não se enxerga o coletivo. Chega a  ser um sistema perverso.

Perverso por ser sem sentido, e quando nos damos conta o prejuízo é muito maior que os lucros.

Importante termos consciência que lucro/prejuízo não estão relacionados apenas ao financeiro. Há muitas outras coisas envolvidas.

E quando passarmos a nos perguntar o que ganhamos ou podemos oferecer de ganhos aos outros a cada escolha que fazemos, talvez assim a vida torna-se mais leve.

 

 

 

 

Um comentário em “POLUIÇÃO SONORA”

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