Fio de Ariadne

FILHOS

Bonita a imagem de uma mulher grávida.

Tantas expectativas, tantos sonhos e desejos ao ser que está prestes a chegar.

Acompanhando toda a espera, o medo muitas vezes se avizinha. Medo de que alguma coisa errada aconteça com a criança ou com a própria mãe. Medo de não se dar conta da nova empreitada.

Tudo é novidade numa gravidez, por isto muito comum o medo.

E esta novidade traz mudanças significativas à vida dos que receberão e acolherão a criança, dos que efetivamente cuidarão do bebê.

Toda a alegria com a chegada do bebê é acompanhada de noites mal dormidas, jantares e almoços à prestação, banhos relâmpagos, visitas, mamadas. Corpo que dói cansado, roupinhas a serem muito bem lavadas e passadas, cuidados com a higiene da casa, das mãos, dos barulhos…

As exigências de cuidados aumentam na proporção que a criança cresce.

É fácil criar um filho hoje em dia, basta oferecer a ele atividades eletrônicas através de ipads, tablets, celulares, eletrônicos, enfim… Os eletrônicos têm feito o papel de babás ou de cuidadores.

Um eletrônico entretém qualquer ser humano, imagine uma criança que está a descobrir o mundo. Sim, descobre-se um mundo sem limites, mas um mundo apenas virtual.

O perigo de um eletrônico na formação da criança está exatamente no fato de não possibilitar a vivência, a experiência, e também dificultar as relações.

Oras, o ser humano é essencialmente social, como distanciar-se das relações?

Não posso entrar na caretice de dizer que o eletrônico é só ruim. Porque ele não o é. Eu o uso e muito, e me vejo em algumas circunstâncias, refém deles.

Sim, refém. Quando digo refém quero dizer exatamente o que está a imaginar leitor.

Me pego muitas vezes tão entretida numa leitura no celular, ou vendo um vídeo, ou jogando, sim eu jogo, ou até mesmo num bate papo descontraído com alguém bacana, ou ainda navegando na internet… É muito difícil desvincular da máquina, voltar a atenção para o mundo real.

Quantas vezes alguém fala comigo e mal respondo? Mal presto atenção ao que foi-me dito. Não ouço o que foi-me pedido. Não ouço porque não escuto. Não presto atenção.

Acontece também com você, leitor?

Acredito que eis aí o grande perigo do eletrônico: Sermos seus escravos, seus reféns.

Como adulta, apesar da dificuldade, ainda consigo decidir, mas e a criança que está em formação? O que ela tem a aprender?

Toda criança é como uma grande janela escancarada esperando os estímulos da vida se exporem à sua frente. Ela aprenderá aquilo que lhe for oferecido. Não nos esqueçamos disto. Somos todos produtos do meio.

Será que esta criança exposta tão perversamente aos eletrônicos com o disfarce de precocidade ou brilhantismo não gostaria de receber outros estímulos e relações?

Será que a criança gostaria de conversar olho no olho, rolar no tapete, fazer caretas, rir, correr, esconder, contar e ouvir historias e tantas outras atividades simples do dia a dia?

É, talvez seja mais fácil presentear a criança com coisas.

Estar presente efetivamente na vida de uma criança, certamente faz toda a diferença.

Repetindo, criar filhos é fácil, basta fazer o que dizia acima. Já educar uma criança requer cuidado constante, dá trabalho sim. E tarefa que poucos querem assumir.

 

 

 

 

 

Um comentário em “FILHOS”

  1. Interessante reflexão faz-se necessário olhar primeiro aos nossos próprios hábitos, como vc bem fez no texto, pois diante da imensa responsabilidade de colocar um filho neste mundo, devemos estar atento a cada gesto, palavra e hábitos pois as crianças estão ao nosso redor nos imitando, entoa refletir que adultos somos é projetar o futuro as nossas crianças

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