Fio de Ariadne

WORKAHOLIC OU WORKLOVER?

Há uma anedota mais ou menos assim:

Havia um alto executivo de um conglomerado empresarial que vivia para o trabalho. Respirava trabalho, comia trabalho, dormia com o trabalho.

Sim, ele era oficiosamente casado, pai de dois filhos já adolescentes. Digo oficiosamente, pois este senhor tinha o papel de marido, pai, filho, irmão como todas as pessoas mortais. Porém não exercia tais papeis, vivia literalmente enterrado no trabalho e só para isto voltava sua maior atenção.

Um dia, este mesmo executivo deveria deslocar-se para o interior do Estado a fim de visitar a diretoria de uma indústria e assim começarem a negociação de algo muito grande para as duas partes: para a Indústria do interior e para a Empresa que ele representava.

Preferindo dirigir, dispensou o motorista rumando para a tal cidade. Mas como era bem ansioso, a fim de diminuir o percurso e fugir do trânsito caótico da rodovia, escolheu uma estrada vicinal.

O caminho escolhido não tinha estrutura alguma, estrada de terra, esburacada e no meio do nada. A certa altura, o carro deu pane seca. e como estava no meio do nada, obviamente não havia sinal de internet, não conseguia ligar e nem enviar mensagens para pedir socorro.

O homem então desce do carro para pensar o que fazer. Olha de um lado, muitas árvores; olha do outro, mais árvores; do outro lado vê ao longe uma pessoa deitada numa rede ou algo assim, chama a pessoa que se levanta e se aproxima vagarosamente que lhe diz:

“Tarde, pois não!”

“Estou com um problema no meu carro e sem sinal no telefone para fazer qualquer chamada. O senhor por acaso mora por aqui? sabe onde consigo um telefone?”

O homem matuto diz:

” Moro alí naquela casa, tá vendo? mas não temos telefone não. Se o senhor quiser esperar, o ônibus que traz as crianças da escola logo passa, daí o senhor pode pedir carona”.

Virou as costas e voltou vagarosamente para sua rede que estava amarrada próxima a um riozinho de águas bem geladas e cristalinas. O homem simples, estava com duas varas de pescar presas na beira da água à espera de peixes.

O executivo aproximou-se da rede, e tentou puxar conversa:

“O senhor e sua família moram aqui no meio do nada?”

“É”. respondeu o outro.

“Do que vivem”? Pergunta ele.

“Ué, plantamos, colhemos, criamos uns animaizinhos, trocamos produtos com os vizinhos, vendemos alguma coisa na cidade, leite, ovos, verduras…. Assim vamos vivendo. Agora mesmo estou pescando a nossa janta”.

O executivo sem entender esta vida insiste:

“Mas o senhor não estudou, não fez faculdade”?

“Para quê”? respondeu o homem

“O senhor nunca pensou em um trabalho na cidade, numa fábrica, no comércio”? pergunta ele.

“Para quê”? continua o pobre e sossegado homem.

“O senhor não pensa que vai envelhecer, que precisará da aposentadoria”?

“Para quê”?

“Veja, todos os homens que conheço estudam muito, trabalham muito, competem entre si pelos melhores empregos e salários, e o senhor não pensa em nada disto”?

“Para quê tudo isto”? pergunta agora o matuto.

“Ah, para podermos nos aposentar bem, e assim termos uma casinha num sítio bem arborizado, banhado por um riacho de águas cristalinas, e então podermos nos deitar numa rede debaixo das árvores e pescarmos sossegados”.

“ah, entendi…” diz o matuto dando uma risadinha de canto de boca.

 

E assim acaba nossa anedota para estimular a reflexão sobre o workaholic e a competição desenfreada no mundo corporativo, e o worklover que trabalha no que gosta e vive de forma cooperativa.

A alta competitividade, as vaidades desenfreadas, as ambições fazem com que a pessoa workaholic se prepare para o mundo corporativo muitas vezes não para satisfação pessoal, e sim para provar algo que nem ela sabe a quem e para quê, como diz o nosso amigo da anedota: “Para quê”?

O workaholic vive em busca de resultados, não aprecia os meios, não aprecia o processo. Apenas o resultado lhe interessa. Vive sob pressão. Ele nem sabe dizer se gosta ou não do que faz, não sabe se gosta de si mesmo, talvez tenha auto estima rebaixada.

Com dificuldade em se desligar do trabalho, um padrão difícil de se quebrar, dificultando as relações com as pessoas e consigo mesmo, levando à qualidade de vida ruim, apresentando como sintomas a insônia, distúrbios alimentares, problemas de saúde, alterações de humor, inapetência sexual, respostas agressivas ao meio, estresse, crises de ansiedade, depressão.

Já o Worklover faz o que gosta, tudo a seu tempo. Aprecia o processo como um todo, sem pressa, e sem cobrança. Não se contamina pelo trabalho. Entende que o trabalho faz parte da vida,  mas não é a vida. Aprecia o lazer, cuida e vive os relacionamentos, tem facilidade com trocas e divisões, não se sente pressionado.

Gosta do ócio, é criativo e engenhoso, sem dificuldade em integrar-se à natureza. Vive a vida de forma mansa, sem nada exigir dela.

 

E você leitor, que tipo de vida você quer para você?

Responda nos comentários, se assim quiser.

 

 

3 comentários em “WORKAHOLIC OU WORKLOVER?”

  1. Com toda certeza o mundo corporativo não me pertence, não me atraí. Logo fico com Worklover, tem meu modo de ver a vida. Podemos ser felizes fazendo o que amamos. Lindo texto, parabéns!!!

  2. que texto incrível. me enxerguei nele de várias formas!
    é muito dificil a transição de workaholic pra worklover, mas é mto melhor viver em paz comigo mesma e com o mundo! 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s