Fio de Ariadne

FALSA BONDADE

-Vem cá que eu lhe ajudo!

-Estou lhe estendendo a mão, sei que precisa de ajuda.

-Eu divido o que tenho como você, sem problemas.

-Eu te protejo.

-Não fique assim, você não está sozinho(a) nesta. Estou aqui, vamos achar um jeito…

… E tantas outras formas de generosidades, de bondades que quando genuínas nos fazem muito bem, mas quando há algum exagero…

E  o(a) incauto(a), ou porque está mesmo carente ou porque lhe é conveniente ou por pura inexperiência, cai na lábia do ser “bondoso”.

Pessoa muito “boazinha” tem interesse ou intenção por trás de toda sua bondade.

Primeiro, é provável que  acredite ser mesmo tão bondoso(a)! Mas convenhamos, não há um ser sequer na face da terra que viva no extremo tanto da bondade como da maldade. Somos uma mistura de sentimentos, de pensamentos, de valores, de atitudes… E o que é bom para um pode ser muito mau para o outro. Então, nem tudo são flores, não é mesmo? O que este ser quer provar e para quem?

Segundo, provavelmente o ser bondoso queira através de sua bondade ter o controle na sua mão. E aí mora um perigo muito grande!

Exercer o controle sobre o outro é de um crime psicológico inimaginável, pois não permite que o outro se desenvolva, que o outro cresça.

O ser “bondoso”, a princípio, constrói uma teia invisível à espera de sua presa, e quando a tem nas proximidades, de início fala docemente, instrui, decide com ares de sugestão, ajuda incondicionalmente, e quando se vê,  o outro tornou-se seu refém.

A partir de então, o ser “bondoso” torna-se um algoz, ainda que mantenha o ar de bondade, controla, manda, determina, manipula, espera por resposta dentro dos seus princípios e roteiros.

E ai daquele que fugir dos caminhos traçados e predeterminados. Ai daquele que ousar desviar ou desobedecer algo que foi milimetricamente traçado pelo ser “bondoso”.

O ser “bondoso” transforma-se no que realmente é: Um ser egoísta, individualista, vaidoso, arrogante e mandão. Quer o mundo aos seus pés.

E a vida pacata e protegida do seu “protegido rebelado” vira um inferno do dia para a noite. Há perseguições, pressões, injúrias e se possível até destruições.

Muitas vezes não se tem tempo de fazer qualquer coisa, a destruição é inteira, irreversível. Mas quando se acorda em tempo do pesadelo, há um mal estar muito grande. Medos, inseguranças e desconfianças são predominantes.

E um novo começo, novos e frescos ares de independência chegam aos pulmões e o grito de liberdade está dado!

 

 

 

 

 

 

 

 

2 comentários em “FALSA BONDADE”

  1. Acredito mesmo que qualquer ‘ajuda’ não solicitada torna-se um veneno tanto para a ‘vitima’ como para o ‘salvador’ . Os dois precisam ter autonomia psicológica para pedir auxílio quando realmente precisa, e só ajudar quando tiver certeza da necessidade e o seu próprio ego estiver equilibrado.

  2. Estas dicas para o desenvolvimento do ser humano são muito profundas e nos ajudam sem necessidade de qualquer “benevolência” externa. Basta abrirmos nosso coração e olharmos no espelho que existe no seu interior.

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