Fio de Ariadne

MAIÊUTICA

A última publicação “Pescador de Águas Turvas”,  escrito pelo nosso amigo e colaborador José Luis Cardieri,  faz pensar sobre a Maiêutica Socrática.

Fazendo uma analogia, se é que conseguirei, mas vamos lá, vamos tentar. Afinal sem tentar nada conseguiremos…

Comecemos com a força do nome Sócrates!

A saber, temos duas pessoas bastante conhecidas com este mesmo nome, Sócrates. Um brasileiro, médico mais conhecido como jogador de futebol. Outro, grego, filósofo. Mas o que um Sócrates tem em comum com o outro Sócrates além do nome?  Enquanto o grego viveu 7  séculos antes de cristo, o outro brilhava nos campos de futebol anos 80 aqui no Brasil.

Sócrates, o jogador era também médico, portanto um homem esclarecido, e o outro Sócrates, o Filósofo grego, também era muito esclarecido, levava grupos de jovens atenienses a acompanhá-lo pelas ruas da cidade. Tanto um como o outro, a sua maneira carregava multidões.

Sócrates, como famoso jogador de futebol, tornou-se ídolo no Corinthians/SP, mas não fez história só no esporte. Como dizem os torcedores, ele era um craque com a bola, e não parou por aí, era também um craque nas ideias, e junto com um grupo de jogadores do mesmo time que ele, militou politicamente pela valorização do atleta como ser humano.

E com ele nasceu a Democracia Corinthiana, com a defesa de ideias como: todo e qualquer atleta passa a ter o direito a voz e vontade próprias, tem direito a fazer parte nas negociações de suas contratações, propunha também a quebra de rigidez nas regras de concentração. Sócrates, ou doutor como era também conhecido, propunha que o atleta não fosse jamais refém de interesses de agentes e cartolas do futebol.

Quanto ao Sócrates, o Filósofo, o que se sabe é que vivia em Atenas, cidade grega, hoje a capital daquele país. Ele era uma pessoa de origem simples, sua mãe era parteira. Vale lembrar que Maieitike em grego significa parto, ou arte de partejar… Sócrates gostava de andar pelas ruas da cidade e conversar com as pessoas, principalmente os mais jovens.

A Maiêutica socrática consistia num método dialético, onde a cada observação de seu interlocutor, Sócrates elaborava uma pergunta referente ao assunto debatido, o que forçava a pessoa a refletir sobre aquele tema. E a cada resposta dada, uma nova pergunta cada vez mais exigente de reflexão… Ao final do diálogo, o “aprendiz” chegava à Maiêutica ou trabalho de parto de ideias. Por isto o termo Maiêutica, o método socrático. As ideias nasciam ou eram paridas alí, em cada esquina, em cada viela, em cada rua através do diálogo simples porém reflexivo que atendesse ao bem comum, desta feita nasce a ideia de Democracia.

Ideias eram paridas. A juventude ateniense amava conversar com o mestre. Sabia que novas ideias nasceriam de cada diálogo, e estes mesmos jovens passam a questionar o poder.

Uma época efervescente aquela. Tão revolucionárias as ideias paridas, que ofereceram ameaças ao poder constituído.

Sócrates, o jogador, o doutor, o craque, o ídolo do futebol, tornou-se uma lenda quando se trata do mundo das ideias revolucionárias, propondo mudanças consistentes e para muitos, insubordinadas… Sócrates, o filósofo, o craque das reflexões, o ídolo da juventude ateniense, tornou-se uma lenda quando se trata do mundo das ideias revolucionárias, propondo mudanças consistentes e para muitos, insubordinadas…

Sócrates, o filósofo grego, foi perseguido, acusado de uma porção de bobagens, e por tamanhos absurdos, ele, o filósofo negou-se ao direito de defesa. Foi julgado e condenado à pena de morte, sendo obrigado a tomar o veneno cicuta.

Já o nosso brasileiríssimo Sócrates teve melhor sorte, apesar de apresentar propostas diferentes e contrárias ao poder viciado e arraigado no futebol. Suas ideias foram aceitas e aderidas por seus pares e pelo seu clube. Os clubes adversários não aderiram, mas as ideias foram lançadas e sim, discutidas, refletidas.

Muita historia entre um Sócrates e outro. Muita água rolou por debaixo desta ponte… Um parto tão demorado e sofrido, enquanto o outro tão natural e sem dor!

Tão mais leve quando há abertura para a reflexão, para o diálogo, e para o respeito ao diferente…

 

 

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