Fio de Ariadne

EM BUSCA DE NOVOS CAMINHOS

Um caso envolvendo meditação e depressão:

Hoje em dia, meditar não tem mais aquela imagem de coisa para pessoas excêntricas, que se isolam do mundo, tentando atingir uma condição de santidade… Pelo contrário, meditação pode ser vista como algo que é um direito de qualquer pessoa se encontrar, de conviver consigo mesma. Diferente do que acontecia com AZ (*), um egresso do purgatório chamado depressão, conforme ele mesmo conta. Conviver consigo mesmo, longe de lhe dar prazer e promover seu crescimento mental e espiritual, era um martírio. Ele não conseguia nem mesmo sequer se olhar no espelho. Literalmente.

Meditação é algo muito atual, pois traz benefícios de diversas ordens. Conduz à auto realização, ao desenvolvimento de capacidades. Explora o potencial interno, voltado ao coração. A depressão de AZ, aliada à hiperatividade, pelo contrário, sufocava sua criatividade.

Praticar meditação não é difícil.

Enquanto medita, a pessoa se vê frente a frente, de forma sutil. Meditação são pausas que nos enriquecem, com simplicidade e apreciação do que fazemos. Na vida diária não desfrutamos do que fazemos. Meditar também nos leva à prática da tolerância e da aceitação das diferenças dos outros, é um exercício de auto desenvolvimento. No caso de AZ, certas pausas representavam outros momentos sumamente desagradáveis. Pausas como festas e encontros sociais, por exemplo. Para enfrentar esses ambientes sociais, para suportar a convivência com as pessoas, ele precisava se ‘calibrar’, como se dizia na época, ingerindo doses e mais doses de bebidas alcoólicas. Já na meditação, encontrar pessoas se torna também momentos de convívio gratificantes.

No dia a dia, só se pensa em resultados – e assim não somos cuidadosos nem conosco – por isso precisamos de pausas regulares. A meditação não busca resultados imediatos, no campo material. Ela visa outra faceta da estrutura humana. A longo prazo, a pessoa irá se sentir cada vez mais leve, mais integrado na Natureza, no mais amplo sentido.

AZ vinha procurando algum caminho que satisfizesse um certo anseio de se livrar das amarras do passado, de influências fortes e nocivas provenientes do ambiente familiar repressivo. A meditação só chegou a ele, depois de encerrado um longo tratamento psiquiátrico e psicológico.

É aconselhável que uma pessoa em estado de depressão e tomando medicamentos fortes, de tarja preta, não medite, segundo o método Heartfulness. Isso porque essas substâncias químicas agem nas células cerebrais, que são responsáveis pela busca do equilíbrio mental. E esse método de meditação espiritual, de forma muito sutil e poderosa, também busca esse equilíbrio, criando um conflito de energias. O tratamento médico busca agir no campo físico, a espiritualidade no campo mais elevado e sutil, que é oferecer a oportunidade do desenvolvimento holístico do Ser Humano em direção ao um estado de Divinização.

Com AZ, superada a fase de tratamento e alta médica, envolveu-se cada vez mais profundamente nas práticas meditativas do método Heartfulness. Sem fanatismo, da mesma forma que não criou dependência química com os medicamentos. Acredita que isso ajudou a afastar de alguma maneira, a possibilidade de retorno da depressão, conforme alertaram a psiquiatra e a psicóloga, com quem se tratara.

A chamada busca da Divinização é alcançada através do anseio de querer ajudar outras pessoas a alcançarem também este estágio. Espiritualistas de diversas escolas consideram que o Homem passa por três fases na vida terrena. Na primeira ele vive como todos os outros animais, procurando basicamente fontes de sobrevivência, como alimentos, segurança para si e sua família etc. Superada essa fase, ele percebe que conviver socialmente com outras pessoas traz benefícios mútuos. Então se organiza em sociedades, grupos, estados etc. Entra então na fase de ser humano humanizado. Na fase seguinte sente no seu Ser Interior que viver materialmente é apenas uma passagem, na Terra, que o levará ao nível mais sutil. Passa então a trabalhar no aspecto de solidariedade, de fraternidade, para o bem estar não apenas material dos outros, mas também criando e levando mensagens e ideais para ajudá-los a se libertar da materialidade e, após a morte, alcançar um universo tão sutil, que pode ser chamado de Mundo Luminoso.

Acreditando firmemente nisso, AZ mergulhou no estudo dos orientadores espirituais, nos seus ensinamentos, não apenas teoricamente. Mas na prática constante, não apenas meditativas, mas exercendo funções voluntárias de orientação, criação de textos, traduções, palestras, organização de estruturas destinadas a apoiar as atividades necessárias para que a organização de que faz parte continuasse se desenvolvendo e se firmando nos diversos segmentos da sociedade. O seu desenvolvimento pessoal libertou-o de diversos medos e preconceitos. Mais tarde passou a freqüentar uma ONG dedicada a atender crianças, jovens e idosos e eis que se vê participando ativamente de atividades físicas e intelectuais. Colaborou na criação coletiva de um livro, participou de um grupo que editava um jornal interno, estava sempre presente nas festas (sem precisar se ‘calibrar’…), trabalhava em encenações de dança etc. Ele mesmo se surpreendia! Porém, tudo isto é praticar conforme afirma, a ideias do guia espiritualista Ram Chandra (conhecido por Babuji) que sugere: o homem deve agir como os pássaros, que voam acionando suas duas asas. O ser humano tem as asas material e espiritual e só trabalhando com as duas, de modo equilibrado, é que alcançará seus objetivos. Observemos uma galinha, que cisca no terreno e, quando muito, voa até o galho de uma árvore para dormir. Já um pássaro sempre procura voar mais alto, percorrendo em bando milhares de quilômetros, de um continente ao outro, guiado pela luz do Sol.

O caminho percorrido por AZ do tal purgatório até esta fase de realização pessoal, nem sempre é o adequado para o desenvolvimento de outras pessoas. Ele mesmo diz isso. Cada caso é um caso, porém, a meditação praticada no momento adequado e quando chega a hora certa, sem condicionamentos externos, é um caminho que pode ser muito gratificante.

A meditação não é um tratamento para curar doenças. O orientador espiritual Chariji recomenda que as doenças do corpo devem ser tratadas por quem entende do assunto, digamos um médico, um psicólogo, um dentista. Os problemas da alma podem ser tratados por um ‘médico da alma’, isto é, um guia espiritual, conforme diz o professor Daaji. O método de meditação Heartfulness, originado do Raja Yoga, procura levar o praticante ao desenvolvimento espiritual para chegar ao Grande Objetivo, que é a aproximação com a Divindade.

A meditação pode ser gratificante para alguns e decepcionante para outros. Depende do objetivo que a pessoa deseja alcançar. Se o objetivo for apenas material praticar a meditação espiritualista, como Heartfulness e outros métodos similares, será frustrante.  Mas só temos esta vida aqui na Terra. Então, por que não sair da toca aconchegante, ainda que castradora, e verificar o que existe de ‘bom’ e de ‘mal’ neste vasto Universo?

 

(*) AZ é uma pessoa real, bem como seus depoimentos. Pelo colaborador José Luis Cardieri.

 

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