Fio de Ariadne

NADA DE NADA

Longe da questão religiosa/cristã propriamente dita, estamos em tempo de quaresma, logo, tempo de reflexão.

Reflexão sobre quem somos, o que fazemos e como interagimos no mundo. Sendo assim, escolhi o conto de Kurt Kanter NADA DE NADA para iniciarmos a jornada da quaresma, vamos a ele:

“Certa vez, um pardal e uma pomba conversavam, lá pelas tantas o pardal fez uma pergunta:

– Quanto pesa um floco de neve?

–  Nada de nada, foi a respostas da pomba.

O pardal depois de pensar um pouco falou:

–  Certo dia estava sentado num ramo de pinheiro quando começou a nevar. Não era uma nevasca pesada ou furiosa. Nevava como num sonho: Sem ruído nem violência. Já que não tinha nada melhor a fazer, pus-me a contar os flocos de neve que se acumulavam nos galhos e agulhas do meu ramo. Contei 3.741.952 flocos. Quando o floco 3.741.953 pousou sobre o ramo – nada de nada como você diz – o ramo se quebrou.

Dito isto, o pardal partiu em vôo.

A pomba, uma autoridade no assunto, desde Noé, pensou um pouco na história que acabara de ouvir e finalmente refletiu. “Talvez esteja faltando uma única voz para trazer a paz ao mundo”.

E assim acaba o conto de Kanter sobre o nada de nada, e nos faz pensar sobre a grandiosidade da paz, da amizade, da alegria, da bem aventurança, da alma limpa, enfim… e na proporção da grandiosidade, há a dificuldade de conseguirmos alcançar tais dádivas.

Não seriam tais dificuldades porque esperamos que o outro comece? Que o outro faça? Que o outro dê a cara para bater?

Há de se começar com alguém, por quê não conosco? Eu, assim como o 3.741.953º floco de neve a quebrar o galho do pinheiro, ser a primeira voz a falar efetivamente sobre a paz!

Tudo começa comigo, dentro de mim. Daí eu penso:

“Sou quem sou sou por tudo aquilo que todos somos” – UBUNTU – A partir do momento que eu entender que tudo parte de mim, que o mundo só será melhor se eu começar a melhorá-lo. Só assim conseguirei um mundo melhor.

 

Um comentário em “NADA DE NADA”

  1. Muito interessante! Realmente é bem difícil sairmos de nossa casca, tão confortável mesmo quando o mundo lá fora desmorona, para fazer algo para melhorar esse tal mundo. É que não olhamos para nós mesmos. Se fizéssemos isso, nos assustaríamos e talvez tomássemos uma atitude para mudarmos nosso Eu interior e assim, ajudaríamos a transformar o mundo externo. Todos ficaríamos felizes!

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