Fio de Ariadne

QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA!

XEQUE MATE!

Situações difíceis e complicadas que acredita-se muitas vezes sem soluções. Há dias em que acorda-se com a disposição para o enfrentamento, e aí é tudo ou nada.

Chegou a hora de abrir o tabuleiro e posicionar as peças do xadrez…

Apesar de acreditar e lutar pela paz, Norma Benjamim é um mulher pronta para a guerra se preciso for.  Prepara-se ao longo dos anos para esta guerra. Guerra pessoal e silenciosa.

E como no jogo de xadrez, posiciona e movimenta inteligentemente seus peões.

Decidida a encarar seu adversário, caminha a passos firmes, rápidos e cadenciados, o cavalo à espreita. Vestida para matar, sorri satisfeita sabendo bem o que quer entra no edifício luxuoso e carregado de seguranças. Uma torre de fortaleza na tentativa de segurar o avanço adversário.

Todos os olhares se voltam para ela, afinal está impecavelmente vestida e maquiada, exalando perfume delicado ao mesmo tempo marcante e provocador.

“Por favor, preciso falar com o Dr. Raul Porto.”

“A senhora tem horário agendado?” fala a recepcionista.

“Não, não tenho. Meu nome é Norma Benjamim”. “Sou a ex esposa e mãe do filho do “DR.” Antonio Carlos Almeida Pimentel.” Diz ela piscando os olhos verdes faiscantes.

“Aguarde por favor, vou ver se consigo um horário…” Responde a recepcionista.

Um bom tempo depois Norma é conduzida a uma sala luxuosamente decorada com a suntuosidade de um castelo. Um homem sentado atrás de uma enorme mesa de mármore ao fundo da sala.

Ele, o REI de todo aquele império.

“Dr. Raul Porto?” Diz Norma Benjamin

“Sim, pois não?” Responde o homem com indiferença imperiosa, aponta uma cadeira enquanto assina alguns papeis sobre a mesa e sequer olha para a mulher.

“Preciso ter uma conversa franca com o senhor. Sei que o senhor não me conhece e nada tem a ver com os problemas particulares e familiares de seus funcionários, mas…”

Um tempo para respirar e tomar coragem, ela ataca decidida:

“Estou aqui para defender o meu filho. Sou ex esposa e mãe do filho do Antonio Carlos Almeida Pimentel, seu advogado” Continua Norma.

“Pois não, mas não entendo.” diz o homem em sua altivez peculiar, enquanto levanta ligeiramente os olhos com ar de desdém.

“Sei que o senhor é um homem muito poderoso. Poderoso até demais!” Fala a mulher com o olhar de igual soberania, enfrentando seu adversário.

“Eu ainda não estou entendendo, como a senhora disse anteriormente, não nos conhecemos, mas a senhora deve saber bem quem sou. Sou um empresário muito ocupado e…” Diz Raul Porto.

“Pois é”, investe a mulher agora com coragem efetiva de uma rainha. “Fui casada durante quatro anos com o Antonio Carlos, tempo suficiente para conhecer e entender o trabalho dele e também o grupo empresarial que o senhor chefia com unhas e dentes. Bem, do nosso casamento nasceu o nosso filho Rogerio, que vem sendo desde então assumido e amparado apenas por mim. Antonio Carlos diz não ter condições financeiras de arcar com suas obrigações paternas por não ganhar o suficiente para as despesas do menino, o que não acredito. Vamos e venhamos, não dá para acreditar mesmo.” Argumenta a mulher olhando para aquela sala suntuosa, um verdadeiro palácio que abriga o poderoso rei e seu império.

“Tenho tentado vários tipos de acordos com ele, mas até então não obtive sucesso. Veja bem, o filho não é só meu…” Continua Norma.

“Eu ainda não entendo como eu entro nesta história. Como a senhora bem disse desde o início, eu nada tenho a ver com a vida particular de meus funcionários. Sendo assim, não posso ajudá-la em nada…” interrompe o homem impacientemente.

“Eu avisei ao Antonio Carlos”. Investe mais uma vez a mulher, preparada para todas as estratégias do seu adversário. “Se não fosse por bem seria por outro meio. Um meio talvez mais habitual para ele ou alguém mais…” Fala Norma olhando fixamente para o homem.

Majestosamente Norma investe mais um pouco.

“Estou aqui para solicitar a sua intercessão junto ao pai do meu filho, para que ele assuma de uma vez por todas as responsabilidades da paternidade, pelo menos no sustento da criança que hoje já está com 8 anos e mal conhece o próprio pai”. Continua Norma com o tom imperial.

“Mas a senhora está querendo que eu me meta numa história dessas?” “Em assuntos particulares e domésticos? Faça-me o favor…” Diz o homem demonstrando total falta de paciência batendo as mãos na mesa, o que mais parece para Norma é que aquele homem sente-se acuado. XEQUE!

“Com certeza, eu poderia ter ido à imprensa e denunciado que Antonio Carlos, o advogado e braço direito do “mega empresário” Dr. Raul Porto, faz uso de substâncias ilícitas, e que este mesmo advogado enquanto casado batia na esposa, quebrava tudo dentro de casa, e nunca assumiu as responsabilidades do filho, nem as financeiras… E assim é até hoje, ele nunca assumiu as responsabilidades da paternidade.”

Baixando o tom de voz, Norma ataca:

“O senhor bem sabe como é a imprensa, pois não?” Continua a poderosa rainha, forte e decidida, lançando um olhar penetrante e destemido.

Xeque! Mais um avanço da Rainha naquele jogo…

Silêncio…

E ela retoma a palavra, com mais agressividade:

“Qualquer notícia sobre um membro de sua equipe é motivo para muito falatório, despertando a atenção em questões que podem envolver até a polícia, já que estamos falando também de pensão alimentícia. O senhor sabe o que pode gerar a falta de pagamento de pensão alimentícia, não é mesmo? Eu sei e compreendo que o senhor é avesso a escândalos e quer distância da imprensa, por motivos óbvios. Sei também que suas atividades não são nada simpáticas à sociedade, que fere a moral e os bons costumes… Nem todos simpatizam com a contravenção. Então…” Arremata a mulher olhando direta e profundamente nos olhos do homem.

“A senhora está me chantageando ou ameaçando?” Pergunta incrédulo o homem já vermelho de raiva.

“Não sei como o senhor quer chamar a isto. Eu já poderia ter acionado a mídia, que de modo geral é ávida por notícias escandalosas, não é mesmo? Eu não fiz isto, e nem pretendo fazê-lo. Só movimento as peças do jogo conforme as regras aqui estabelecidas. Como sabemos, fui casada com um dos seus por tempo suficiente para aprender todas as suas regras e hoje tenho um tabuleiro particular. Quero poder criar o meu filho com dignidade. O que o senhor me sugere?” Questiona Norma.

O homem olha longamente para aquela mulher decidida e confiante, respira fundo, pega o interfone e pede que chamem o Antonio Carlos e o gerente  do RH.

Todos presentes, Dr. Raul, o poderoso empresário de transportes e logística, e o grande chefe de jogo de bicho entre tantas outras atividades, a maioria delas ilícitas e que aqui não cabem mencionar, dita as ordens:

“Que a partir deste mês seja descontado em folha de pagamento o valor correspondente a 50% do salário de Antonio Carlos”. Declara Dr. Raul em tom imperial.

XEQUE MATE!

Antonio Carlos arregala os olhos, mas nada argumenta, sabe que naquele tabuleiro as regras são claras, precisas e irrevogáveis. Cabe-lhe então o silêncio e a aceitação que a rainha adversária é a vencedora.

A mulher respira triunfante, olha desafiadoramente para ele, sorri enigma e ligeiramente, e em nome de seu filho agradece a atenção que lhe é dispensada,  despede-se e sai triunfante tomando a rua.

Ruma em disparada para casa.

Norma Benjamim não é uma mulher qualquer, ela tem a força e coragem de leoa e sabe como ninguém utilizar deste recurso para a defesa de seus princípios e de tudo aquilo que considera correto.

Hoje aprende mais uma grande lição:

Para se jogar bem é preciso primeiro aprender minuciosamente as regras do jogo assim enfrentar com astúcia o adversário.

 

 

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