Fio de Ariadne

ZONAS DE CONVERGÊNCIAS

Não sou dona da verdade, muito pelo contrário. Talvez seja dona da vontade de aprender sempre.

Já confessei neste espaço que sempre admirei, até com uma ponte de inveja, os primeiros alunos da classe na escola.

O processo de autoconhecimento já que é um processo, não tem fim. Mas pega leve aí…E esta sede de aprender, de conhecer o novo, me faz constatar nesta altura da vida o quão diferente é minha vida. Coisas pequenas e simples, do cotidiano mesmo me fazem refletir.

Quis vir para São Paulo não por querer ser diferente para a época, ou querer ir na contramão daquilo que me era oferecido, estudar na cidade vizinha e ser professora. Mas eu queria ser Psicóloga, e lá no interior não havia como. Eu lutei pelo meu sonho, qual o pecado nisto?

Me apaixonei e me casei com um homem afrodescendente, o que não deixa de ser uma grande quebra de tabu para uma sociedade preconceituosa.

Meu pai faleceu na véspera do aniversário de 7 anos de minha filha mais velha, foi enterrado no dia do seu aniversário. Após enterrarmos meu pai, minha mãe, uma sábia, orientou-nos que providenciássemos salgados, docinhos e o bolo. Cantaríamos o parabéns pra você e celebrássemos a vida naquele momento… Foi o que fizemos.

Claro que a partir deste episódio, a cada aniversário minha filha me perguntava se eu estava triste ou feliz. Ao que eu respondia: Estou triste pois perdi o meu papai, mas muito feliz por você estar aqui, e podermos celebrar sua vida.

O tempo passou, mas a marca ficou. Hoje já adulta, ela diz que a ficha caiu sobre este episódio todo.

Ok, penso que foi muito dolorido para ela sim. Mas para mim… Perdi o meu pai tão querido, exatamente no aniversário da minha filha. Uma mãe tem a pretensão de querer blindar suas crias, difícil tarefa esta, principalmente na constatação de que a coisa é bem diferente do ideal. Um peso muito grande isto tudo para mim.

Continuo a pensar na minha vida, nas coisas que já me ocorreram e ocorrem, nas exigências e cobranças dos acontecimentos, e nem sei se tenho estrutura para segurar tantos desafios, que confesso são muitos.

Mas não sei se quero ser desafiada e se quero desafiar alguma coisa.

Gostaria apenas de sossego, de paz, de vida simples e “normal”, sem saber direito o que seja isto. Talvez aquela vidinha dentro de um padrão papai/mamãe sem contestações, e questionamentos. Uma vida medíocre…

O Caribe, por ter uma localização estratégica geográfica sofre com os tornados e furacões, talvez minha metáfora seja esta: localizo-me em zonas de convergências…

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