Fio de Ariadne

RESÍDUOS…

Do latim, ficou um pouco,
Talvez muito pouco:
Res = coisa
E nossa vida guarda muitas coisas,
Mas delas res-ta muito pouco,
Apenas resíduos, res-íduos.

“Resíduos da vida de família,
Lembranças de cheiros e de sabores,
Da mãe preparando pratos para deleite de todos,
Ou apenas de alguns.

Para um dos filhos, restou o cheiro e o sabor
da simples e comum sardinha frita no óleo quente,
empanada com farinha de trigo.
No prato, restavam apenas umas migalhas da farinha.
Muito pouco!!!

E da taioba, colhida na horta?
Quando ela colhia, restavam poucas folhas,
na lembrança de que eu devorava tudo,
depois de refogada e temperada com alho frito.

Restou essa lembrança quando revi a taioba,
Plantada pela Natureza num canto do sítio.
Novamente me regalo, muitos e muitos anos depois,
Com essa simples hortaliça,
lembrança resguardada num canto do estômago.

Mais resíduo: quando me lembro da pizza,
Da primeira pizza que mamãe preparou em casa,
Recheada com aliche em filezinhos,
E assada no forno a carvão.

Sobrou de tudo isso um pouco,
Coisas que marcam a vida,
Até o momento em que, como resíduo,
Nosso corpo fica por aqui,
E nossa alma, longe mas logo ali,
Contempla esse passado. ”

José Luis Cardieri (inspirado no poema de Carlos Drumond de Andrade – Resíduos)

José Luis Cardieri é nosso amigo e colaborador.

 

Um comentário em “RESÍDUOS…”

  1. Td descrito com muito amor,sentimentos pprios que muitas vezes precisa de uma resposta mas o tempo sábio logo dirá.Vc é guerreira ,parabéns te amo!

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