Fio de Ariadne

BEATRIZ

B

 

Branco, bege, bronze, berilo, brilhante, brinco de princesa, bico de papagaio, balança, barganha, birita, bala, bagunça, beleza, beijo…

Bárbara, Bianca, Bruna, Beatriz…

 BEATRIZ

Origem: Do Latim.

Significado: Aquela que faz os outros felizes e indica uma pessoa bem disposta, capaz de fazer piada com tudo, para alegrar a si própria e para dar nova luz aos ambientes que frequenta. O que não impede que ela tenha um espírito crítico, capaz de distinguir com muita clareza o certo e o errado. Do latim “bem -aventurada”.

Numerologia: 9

 

“Cada ser humano tem seu próprio deserto para atravessar”.

                                                                    (Jean Yves Leloup)

BEATRIZ

Menina sem graça.

Menina esquisita.

Menina feia.

Menina estranha, desengonçada.

Menina baleia.

Estes e tantos outros adjetivos para aquela menina.

Ir à escola? Uma tortura.

Beatriz  a cada dia mais amuada e quieta.

O que há de errado com esta menina?

Os atributos positivos são muitos, como os dentes brancos e brilhantes, o sorriso bonito que formam  covinhas no canto da boca. Os olhos de um azul profundo, porém escondidos atrás dos óculos “fundo de garrafa”, e Beatriz é muito inteligente e esperta.

Gordinha e barriguda, nem tem corpo formado, nada que fuja à regra das meninas da sua idade.

Os cabelos castanhos claros sempre despenteados, dando a impressão de desmazelo.

E são tantos os apelidos, tantas as chacotas que de melhor aluna, Beatriz passou a ser senão a pior, uma quase lanterninha da classe.

Sem prazer nas lições de casa. O material jogado e mal cuidado.

Na sala de aula já não presta atenção às aulas, nem conversa com os coleguinhas, e no recreio então, não participa das brincadeiras.

Sempre isolada, pobre Beatriz…

A professora exercendo seu papel restrito, e por conta de tantas crianças a cuidar, não presta atenção às mudanças naquela menina, apenas cobra e pressiona para que todos da sala, sem exceção, deem retorno no aproveitamento escolar.

E a pobre Beatriz no cantinho da sala, sozinha, quieta, sofrendo…

Época de provas.

Os alunos preparados, sentados em suas carteiras respondendo as perguntas todas.

E Beatriz lá, absorta. Olhando para um algo sem vida e sem cor.

Mas não é possível!

Esta criatura não tem mãe? Não tem pai? Não tem ninguém por ela? Ninguém que a defenda e a proteja?

Agendamento de reunião urgente urgentíssima com a coordenadora da escola. Algo há que se fazer. Providências devem ser tomadas. Os pais são chamados às pressas.

E sai o veredito: Beatriz necessita de acompanhamento profissional. Há o encaminhamento ao neurologista, ao psicólogo, ao psicopedagogo e ao fonoaudiólogo. Além de todas as esquisitices vem apresentando gagueira e alguma troca de letras na escrita e na leitura, um absurdo! Os ânimos são acalmados, afinal tudo está esclarecido.

“Há uma psicóloga amiga muito boa e conceituada. Dará conta de Beatriz com certeza, e na mesma clínica encontrarão os outros profissionais”. Diz a coordenadora.

Encaminhamento efetuado, avaliação sofrível do boletim escolar e disciplinar, os responsáveis se despedem certos de serem pais amantíssimos, presentes e preocupados com a formação de sua pimpolha.

A coordenadora por sua vez, despede-se com a sensação de dever cumprido e da importância quase pedante de sua existência no universo escolar.

Uma importância que não deve ser dela…

E Beatriz… Ah, Beatriz!

 

Menina carente de abraço apertado.

Menina pedinte de atenção.

Menina que sofre calada a sua dor.

Menina que busca um olhar e uma mão.

Menina que só pede um punhado de amor.

 

 

2 comentários em “BEATRIZ”

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