Fio de Ariadne

RELACIONAMENTOS

O homem tem medo, medo do desconhecido, na obra Massa e Poder, Elias Canetti diz: “Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido. Ele quer ver aquilo que o está tocando; quer ser capaz de conhecê-lo ao menos, de classificá-lo. Por toda parte, o homem evita o contato com o que lhe é estranho. À noite ou no escuro, o pavor ante o contato inesperado pode intensifica-se até o pânico. Nem mesmo as roupas proporcionam segurança suficiente – quão facilmente se pode rasgá-las, quão fácil é avançar até a carne nua, lisa, indefesa da vítima. (…) Tal aversão ao contato não nos deixa nem quando caminhamos em meio a outras pessoas. A maneira como nos movemos na rua, em meio aos muitos transeuntes, ou em restaurantes, trens e ônibus, é ditada por esse medo. Mesmo quando nos encontramos bastante próximos das pessoas; mesmo quando podemos observá-las bem e inspecioná-las, ainda assim evitamos, tanto quanto possível, qualquer contato com elas. Se fazemos o contrário, é porque gostamos de alguém, e, nesse caso, a iniciativa da aproximação parte de nós mesmos”.

O grande paradoxo é que o mesmo homem que tem medo do outro, não vive sozinho. Ele precisa do outro, do contato com seu semelhante ou com seu diferente.

Nenhum de nós nasce com habilidades naturais para o relacionamento humano.

As habilidades para relacionar-se são aprendidas, desenvolvidas e aperfeiçoadas primeiro através da família e depois da escola, e mais tarde da sociedade. A maneira como se dá o relacionamento, atinge-se o sucesso ou o fracasso. É imperativo melhorar a forma de relacionar-se tornando a vida mais leve e agradável.

Todo comportamento gera comportamento, portanto o modo de agir diante de uma determinada situação é chamado de escolha. Escolher atitudes simples como um sorriso, um cumprimento, um aceno, uma forma de reconhecer que o outro existe e que lhe é importante podem fazer toda a diferença em se tratando de relacionamento.

Escolhemos a pessoa que desejamos ser. Todos os dias decidimos se continuamos do jeito que somos ou mudamos. A grande glória do educador é, além de ser dono de suas escolhas, é de contribuir com a formação e transformação do outro e da sociedade.

Perguntado sobre como era criar uma obra de arte, Michelangelo respondeu: Dentro da pedra já existe uma obra de arte. Eu apenas tiro o excesso de mármore!

Dentro de cada um já existe uma obra de arte, talvez a mais bela do universo. O grande desafio do educador é ajudar o seu aprendiz a retirar o excesso para completar a sua obra.

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