Fio de Ariadne

Dona Morte Mais uma Vez Bate à Porta

Dona morte é uma dona interessante.

Camufla-se, disfarça o seu objetivo e, traiçoeira engana o seu objeto.

Chega em silêncio, e seu efeito é escandalosamente anunciado na explosão de sentimentos e lamentos, e sobram apenas caquinhos espalhados ao vento.

São caquinhos de saudade, de amor, de tristeza, de medo, de recordações, de indignação, de injúrias, de desespero, de não entendimento, de não aceitação…

Muitos são os caquinhos. Espalhados estão.  Disformes e sem sentido.

Onde encontrar força e disposição para juntar tudo e começar a grande jornada para a reorganização e colagem dos caquinhos?

Não sei.

Lágrimas, já não as tenho.

Tenho saudades é certo, apenas saudades.

Saudades daquela que fui. Saudades daquela que já não sou. Saudades daquela que posso ser.

E como ser sem aquela que a dona morte me tirou?

Ela, a morte, é inevitável e natural, todos a temem e a repelem por ser acreditada como cruel.

Por favor, reconheça dona morte ao menos uma vez o poder daquela que acabou de me tirar.

Foi-me tirado algo precioso, não tenho como negar. Respeito-a, dona morte.

Respeito-a mais por ter chegado agora e não antes.

Respeito-a dona morte, por ter respeitado o tempo suficiente para que a lição de juntar os caquinhos me fosse ensinada.

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