Fio de Ariadne

FANTASIA E REALIDADE

Na década de 1970 havia uma propaganda muito popular de uma Cia. de Aviação que foi inspirada numa lenda folclórica japonesa bastante conhecida naquele país.

O meu caro amigo Tsikara Yoshimoto me enviou a lenda do jovem pescador, que me estimulou doces lembranças dos dias da adolescência, e depois passei a refletir sobre a moral da história. A lenda diz mais ou menos assim:

                                                                 

“Um dia o jovem pescador Urashima Taro, encontrou numa praia uma enorme tartaruga presa num anzol. Ele ficou com pena do animal e em vez de apanhá-lo, soltou-o.

Em agradecimento, a tartaruga disse que como prêmio o levaria para uma terra encantada no fundo do mar. E assim fez.

O lugar encantado era na verdade uma terra fora da água, habitada por lindas sereias e festas todos os dias.

As sereias disseram que ele poderia permanecer por ali o tempo que quisesse, e que também era livre para partir quando desejasse, era só falar que elas providenciariam a sua volta.

A beleza do lugar e de suas habitantes, as festas sempre muito boas envolveram Urashima Taro que foi ficando. Já não se lembrava mais quanto tempo estava por aquelas paragens, perdeu a noção do tempo. Acreditava que não havia envelhecido.

Um belo dia a saudade bateu. As lembranças de casa, do seu cotidiano e responsabilidades, fizeram-no procurar pelas sereias pedindo para voltar. As sereias insistiram para que ficasse, mas como a intenção de voltar era muito forte, elas concordaram, e na despedida deram-lhe uma pequena arca fechada, com recomendação expressa de que a mesma nunca deveria ser aberta.

Chamaram a tartaruga que o levou de volta para a praia. Chegando ao lugar de origem, levou um susto, viu que tudo estava diferente. A paisagem era outra, as pessoas eram outras. Procurou a sua casa, não encontrou. Tudo havia mudado.

Vagou por muito tempo, mas não encontrou nada familiar. Cansado, sentou-se sobre uma pedra e ficou olhando a pequena arca que recebera de presente de despedida.

Desanimado, abriu a pequena arca que estava vazia, e de lá saiu apenas uma pequena nuvem branca que cobriu o seu rosto. Repentinamente o jovem Urashima Taro envelheceu e morreu.”

O povo japonês é conhecido pela seriedade e disciplina no trabalho, talvez por isso que o jovem pescador gostou do que viu na terra estranha. Uma grande novidade e alegria, diferente da vida dura da labuta diária.

A história levanta a problemática da pessoa se perder no deleite e prazeres da vida, esquecendo-se de si mesmo, de suas origens e afazeres.

A viagem que a pessoa faz no mundo dos prazeres e imaginação põe-na numa condição a princípio agradável e feliz, mas não se sustenta enquanto mundo real.

A vida é uma mescla de experiências boas e ruins. Claro que os prazeres, alegrias e laser fazem parte da vida, assim como responsabilidade, sacrifícios e trabalho, mas que sozinhos não a traduz.

Vai de cada um buscar a medida certa para as nuances e colorido da própria vida.

2 comentários em “FANTASIA E REALIDADE”

  1. Por um certo saudosismo acabei buscando alguns contos infantis que fizeram parte da minha infância e me deparei com essa história…
    Na época lembro-me que esta história tinha me marcado muito mas não tinha entendido a moral dela. Achava essa história até um tanto quanto “macabra”…..

    Enfim, lendo esse seu texto posso dizer que concordo totalmente com o que vc diz aqui e foi a “moral da história” que eu mais gostei de ler….

    Obrigado!

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