Fio de Ariadne

ÁLCOOL

Uma lenda israelita muito popular, conta que:

“Noé, o patriarca, depois do grande dilúvio, rematava aprestos para lançar à terra ainda molhada a primeira vinha, quando apareceu o Espírito das Trevas, perguntando, insolente:

– Que desejas levantar agora?

– Uma vinha – respondeu o ancião, sereno.

O sinistro visitante indagou quanto aos frutos esperados da plantação.

– Sim – esclareceu o bondoso velho – serão frutos doces e capitosos. As criaturas poderão deliciar-se com eles, em qualquer tempo, depois de colhidos. Além disso, fornecerão milagroso caldo que se transformará facilmente em vinho, saboroso elixir capaz de adormecê-las em suaves delírios de felicidade e repouso…

– Exijo sociedade nessa lavoura! – gritou Satanás, arrogante.

Noé, submisso, concordou sem restrições e o Gênio do Mal encarregou-se de regar a terra e adubá-la para o justo cultivo. Logo após, com a intenção de exaltar a crueldade, o parceiro maligno retirou quatro animais da arca enorme e passou a fazer adubagem e rega com a saliva do bode, com o sangue do leão, com a gordura do porco e com o excremento do macaco.

A vista disso, quantos que se entregam ao vício da embriaguez apresentam os trejeitos e os berros sádicos do bode ou a agressividade do leão, quando não caem na estupidez do porco ou na momice dos macacos.”

O problema não está no vinho ou qualquer outra bebida alcoólica, o problema está nas atitudes desvairadas daqueles que a utilizam em excesso, perdendo o próprio eixo.

O uso abusivo do álcool é hoje considerado uma pandemia que atinge de forma assustadora principalmente os nossos jovens.

Assustadora à medida que entorpece o jovem, desviando-o de seu caminho natural, que seria o seu crescimento, o seu desenvolvimento e trajetória para a vida adulta.

O jovem, sem maturidade suficiente nas escolhas, usa a bebida como uma espécie de muleta para suas inseguranças, a bebida é um véu que o cobre “protegendo-o” do sofrimento e angústia nas transformações ocorridas no corpo físico, anímico e social. Ele, o jovem,  busca preencher um vazio, busca dar sentido a algo que não lhe faz sentido, ele não sabe bem o que seja, apenas sente.

Ao adulto cabe estabelecer relações mais consistentes, deixar de lado a superficialidade e assumir de frente a orientação e condução dos mais jovens, só assim poderá ser e oferecer o porto seguro que é o papel principal do cuidador  ou educador.

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