Fio de Ariadne

A ROUPA NOVA DO IMPERADOR

Era uma vez um imperador muito vaidoso e soberbo que adorava desfilar suas roupas e acessórios, vivia tão envolvido em exibir sua imagem que esquecia-se dos problemas do reino que eram muitos, e o povo cada vez mais empobrecido e sem esperanças.    

Um dia dois vigaristas forasteiros sabedores de suas esquisitices, apresentaram-se como alfaiates de fama internacional e que poderiam confeccionar as roupas mais caras e raras já vistas, roupas estas tão especiais, que apenas pessoas muito inteligentes e espertas poderiam vê-las.

O imperador não teve dúvidas, contratou imediatamente os falsos alfaiates, dando-lhes plenos poderes para solicitarem o que fosse necessário na fabricação de roupa tão especial.Os vigaristas aproveitaram a oportunidade e esconderam os baús lotados de pedras preciosas, as linhas de ouro, os fios mais finos e sofisticados que eram fornecidos, e ficavam junto aos teares fingindo tecer.

Aquilo tudo virou uma grande sensação, as pessoas visitavam a oficina de costura para verem os valiosos trabalhos. E para não parecerem estúpidas, alegavam ver os mais belos tecidos.

O imperador era só contentamento, esperava ansioso para sair desfilando a sua mais nova aquisição, e os vigaristas lá fingindo tecer, cortar, costurar, bordar, ajustar…

Até que chegou o grande dia. O povo foi convocado a assistir ao acontecimento do ano, talvez do século.Os vigaristas por sua vez, fingiam ajudar o imperador a vestir a tão valiosa roupa.

E lá saiu o imperador acompanhado de toda a sua comitiva pelas ruas do reino. E o povo, para não ser considerado estúpido, aplaudia extasiado:

“Oh, como é linda a roupa do imperador!”

“ Viva o imperador!”

O imperador não cabia em si de tanta satisfação e orgulho, até que uma criança no colo de sua mãe gritou:

“Olhem, o imperador está nú!”

Foi um silêncio constrangedor. O soberano olhou-se envergonhado e o povo caiu na gargalhada porque ele estava mesmo completamente nú… 

Pois bem, este famoso conto de fadas de autoria de Christian Andersen me faz refletir sobre uma porção de coisas, mas me aterei à vaidade desenfreada que impede a pessoa de se enxergar a ponto de prejudicar  as relações intra e interpessoais.

Chego à conclusão que este imperador tinha problemas com sua auto estima. Ele vivia tão envolvido com ele mesmo (narcisismo) que não se dava conta das coisas à sua volta. Caiu no ridículo por pura vaidade.

A vaidade é uma característica da raça humana. As pessoas se cuidam interna e externamente, se arrumam, procuram melhorar o que deve ser melhorado. Ótimo! Maravilha! Isto é vaidade.

O problema é quando há exagero e se perde a mão do cuidado pessoal e se entra no universo do narcisismo, e é aí que a coisa complica, a leitura pessoal é feita numa linguagem da não aceitação e o vale tudo para a busca de reconhecimento passa a ser uma espécie de moeda corrente, e a pessoa “veste” as roupas do imperador e  cai no ridículo acreditando como ele estar abafando, e não está. Ela passa a ser motivo de chacota e conversas muitas vezes maldosas a respeito da sua aparência, é a criança do conto de Andersen apontando para ela.

A não aceitação de si mesmo, o medo do envelhecimento ou outros motivos levam a pessoa a esticar a pele daqui, puxar de lá, e dá-lhe plástica, botox, silicone e não sei mais o que… E a aparência se modifica, se desfigura deixando como resultado uma coisa estranha e sem graça.

Repito, não há nada de errado em querer melhorar, mas há uma linha divisória entre o melhor e o pior. É só uma questão de esquilíbrio e bom senso.

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