Fio de Ariadne

PSICOSSOMÁTICA

Lia, uma jovem de 19 anos, filha única, queixa-se da dificuldade de relacionamento. Acanha-se e retrai-se com freqüência. Pensa em cursar Ciências Contábeis, prepara-se no cursinho pré vestibular. É de pouco falar, “somente o necessário”.

A maior dificuldade de Lia está exatamente na fala, com repetições de algumas sílabas específicas, e junto com as repetições há disfunção na respiração. Condições suficientes que a deixam envergonhada contribuindo para maior retraimento.

Lia tem o que chamamos de gagueira ou tartamudez, sintoma daquilo que Lia não quer falar. Por volta dos sete anos, Lia percebia e já não concordava com a maneira de ser de seus pais. O pai muito passivo e sem ambição. A mãe fogosa, vaidosa e ambiciosa. A menina cresceu num ambiente do qual não se sentia confortável, mas não sabia direito como expressar o seu descontentamento.

Lia acreditava que não podia falar o que via, o que sentia, e com medo de não ser aceita, calava-se. Aprendeu a respeitar os pais, e respeito para ela era acatar sem discutir.

Os sentimentos e as palavras martelavam seus pensamentos.

Como a querer ganhar tempo para melhor pensar e pesar o que será falado, ela repete várias vezes determinada sílaba das palavras e assim possa o seu pensamento ser julgado e aceito por ela e por todos.

Quando se está diante de situações stressantes há quem:

– Consiga falar sobre a situação;

– Briga, grita, se desespera;

– Isola-se;

– Reza, pedindo a Deus uma saída;

– Deprime-se ou sente-se vítima;

– Afunda-se no trabalho;

– Busca soluções…

Normas culturais, experiências passadas, aprendizagens, circunstâncias atuais, personalidade, o meio… São filtros ou fatores desenvolvidos ou processados que levarão a determinado tipo de reação que chamamos de sintoma.

Todo sintoma, por ser manifestação de alguma coisa, é psicossomático. Entende-se por sintoma, as reações ou formas de enfrentamento às mais diversas situações.

A qualidade das relações travadas entre o corpo físico e o anímico é que gerarão os sintomas.

O corpo físico está associado à funcionalidade do ser, enquanto a alma (aquilo que anima o físico) tem a responsabilidade reguladora do ser. Havendo o desequilíbrio entre os dois, a doença aparece. A doença então é o efeito da desorganização entre a funcionalidade e a sua regulação.

A sensibilidade pessoal diante da vida produz um efeito maior ou menor a cada evento vivido, e é também o fator determinante dos vários tipos de respostas. Podemos afirmar que a pessoa decreta intimamente o tipo de doença que será produzida. Não existe certo ou errado. Existem sim adequações às mais variadas reações.

Quanto mais puras as emoções, menos somáticas se tornarão. Por isto a importância em se buscar conhecer as emoções e aprender a lidar com cada uma delas. Afirmamos com isto que o autoconhecimento é fundamental para o bem estar e qualidade de vida das pessoas.

Um comentário em “PSICOSSOMÁTICA”

  1. Du, adorei o texto sobre a história da Lia, parabéns.

    Muito legal a tua análise comparativa do caso.

    Obrigada
    Sucesso.
    Beijos
    ma

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