Fio de Ariadne

CASAMENTO GREGO

O filme “Casamento Grego” não foge à regra Hollywoodiana: Comédia água com açúcar, enredo leve, com final inevitavelmente “feliz”:

A protagonista, Toula Portokalos, uma feiosa, desajeitada e descontente moça de 30 anos, filha de imigrantes gregos vive entediada, vendo sua vida passar atrás de um balcão do restaurante da família, mas ela quer mais da vida.

Tudo é tão chato que Toula resolve fazer alguns cursos, todos escondidos de seu severo e machista pai, que sonha em vê-la casada com um grego.

Num determinado momento do filme, uma das tias deve afastar-se do trabalho numa agência de viagens, e eis uma boa oportunidade de nossa sofredora moça, mas seu pai nunca iria permitir que se ausentasse do restaurante e de sua vigilância, até que sua mãe lhe diz:

“O homem é a cabeça da relação, mas aprenda uma coisa: A mulher é o pescoço. E assim sendo, a mulher leva a cabeça para o lado que quiser.”

E Toula, usando com jeitinho especial a sua parte pescoço, faz com que seu pai a indique e até a incentive para a nova empreitada que é trabalhar na agência da tia…”

O filme continua, mas nós paramos por aqui até porque chegamos ao nosso propósito.

Apesar de despretensioso, o filme nos leva a algumas reflexões:

– Não é a toa ser este um filme com referências gregas. Os gregos, através de sua história (mitologia e filosofia) muito nos ensinam.

– A questão da convivência. Uma família grega vivendo num país longe de suas origens e cultura. O que pode e o que deve ser preservado. O que pode e o que deve ser acrescentado

– A questão das diferenças. O que é preconceito, o que é intolerância.

– Levanta também a discussão a respeito do papel da mulher nas relações de trabalho e da família.

– Qual a melhor idade para o casamento? Para ser feliz é mesmo necessário que a mulher se case?

– Longe de ser feminista ou machista, a questão do pescoço e cabeça nos faz pensar que cada parte é única, com funções diferentes. As duas são grudadas, uma depende da outra. Cada uma tem lá a sua importância. Se num casamento houver tal compreensão, a vida conjugal torna-se mais fácil e porque não dizer mais feliz.

Nossa! Quantos questionamentos vindos de uma comédia romântica que aparentemente não traz conteúdo algum.

Aprendamos mais esta: De tudo dá para tirar lições, até mesmo revendo um filme comercial assistido numa tarde de domingo chuvoso.

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