Fio de Ariadne

O MEU PÉ DE MARACUJÁ

O gosto pela natureza vem desde sempre…

Gosto dos animais, de acompanhar seus movimentos, seus comportamentos. Contemplo a diversidade das espécies e as peculiaridades envolvidas em cada uma delas. Assisto admirada e com certa assiduidade, vídeos dedicados ao mundo animal.

Gosto deles, os animais, mas não me é confortável as suas presenças. Os seus cheiros, pêlos e barulhos me incomodam. Tenho pouquíssima afinidade no trato diário com eles, o que considero uma pena, mas é algo que não consigo e creio não querer superar.

Quanto às plantas, definitivamente são as minhas preferidas. Gosto da casa florida, gosto de regar e tirar matinhos dos vasos.

Cultivo uma mini horta em pequenas floreiras no chão da sacada do apartamento. É bonito se ver a natureza operando de forma silenciosa, elegante e impecável em qualquer cantinho que contenha terra.

 Numa tarde qualquer, joguei sementes de maracujá numa das floreiras que estava à espera, pronta para participar ativamente de mais um milagre da mãe natureza.

E alí nascia um pé de maracujá. A cada folha que aparecia junto vinham as lagartas. E eu pacientemente as tirava.

E o meu pé de maracujá aos poucos foi criando força e crescia com ramagens vistosas. Numa tarde chuvosa de janeiro, quando olho para cima, lá está ela, tão majestosa, com sua roupagem roxa enfeitada com acessórios brancos.

Era a mais linda flor de maracujá. Que de tão linda, não resisti, fotografei-a para perpetuar a minha emoção.

Lembrei-me então do Zezé construindo amizade com Minguinho, a sua árvore tão querida, que de tão forte a relação, José Mauro de Vasconcelos ficou imortalizado na obra “O Meu Pé de Laranja Lima”. 

Aquela pequena e única flor de maracujá faz-me refletir na sua grandiosidade, não só por sua beleza plástica, mais ainda porque ela aponta para a possibilidade do fruto. E então compreendi a sensibilidade do ser diante da grandeza do vir a ser.

Sim, a natureza me dá mais esta lição. O de vir a ser no concreto. A possibilidade intrínseca em cada ser e suas relações. A promessa de vida escancarada em cada ramo de planta.

3 comentários em “O MEU PÉ DE MARACUJÁ”

  1. Um dia perceberás que os cheiros, tanto o da flor do maracujá quanto o dos cães, são os mesmos… são cheiros de Gaia!!!
    Perca seus preconceitos e Contemple… bjos

  2. Maria, bonito o que você escreveu. De fato, acompanhar o crescimento de uma planta, qualquer que seja, é algo de uma beleza muito grande.

    Todo dia rego um pezinho de manjericão que está aqui na janela do meu quarto. E sempre me supreendo com alguma coisa. A última surpresa, e a maior delas, veio do pezinho de maracujá que está nascendo no mesmo vazinho onde plantei o manjericão. Havia adubado a terra com o que ficou na peneira do suco de maracujá que eu fiz, e isso já faz um bom tempo. Agora, eis que vejo o maracujá brotando.

    É, como você disse, o “vir a ser”, que, agora, “já é”, mas que continua sendo “vir a ser”, uma vez que faltam as flores, os frutos…

    Um abraço!

    Luís Barros.

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