Fio de Ariadne

PAUSA.

“We don’t need no thought control.”
Roger Waters

Nós não precisamos de controle o tempo todo.

Do controle que exerce poder, que cria dependência, que mantém sob custódia ou como refém. Este é nocivo porque cerceia o crescimento.

“Nós não precisamos de nenhuma voz de controle” quando nos sentimos seguros em tomar nossas vidas em nossas mãos, quando o controle é usado como forma de organização e entendimento do mundo interno e externo. Este sim é saudável e autônomo.

E nesse processo, são muitas as situações que exigem um período para reflexão, outras tantas pedem-nos como o dito popular “dar um tempo”.

Não há mal algum a pessoa necessitar dar um tempo para si mesmo, precisar se afastar temporariamente de suas rotinas e estabelecer um diálogo interno enxergando-se com mais clareza para encontrar novamente o seu eixo. E aqui metaforicamente, nasce uma vírgula que na regra gramatical tem como função indicar uma pausa e separar membros constituintes de uma frase.

Quando se tem consciência de que cada um é o único protagonista de sua história, e os outros, uns com maior ou menor destaque, são todos coadjuvantes. Quando se tem consciência que cada um escreve o seu próprio livro e, o mais fascinante: Ninguém sabe o final da sua história, ela, a vida é apenas vivida. A história, um processo em construção. Aí então surgem os dois pontos, que na regra gramatical indicam um prenúncio comunicando que se aproxima um novo esclarecimento ou novo anúncio a serem vivenciados.

Arrisco-me aqui a mencionar “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” de Clarice Lispector, onde a autora inicia sua obra com uma vírgula antes de qualquer palavra, e, na seqüência,“um período longo, aparentemente incompleto, sem “começo”, lembrando-nos que as palavras podem representar (ou não) as sensações, as percepções, enfim, qualquer condição humana, e finaliza a história com dois pontos levando o leitor a supor a vida inacabada com qualquer ou nenhum fim.”

O romance de Lispector começa com uma vírgula e termina com dois pontos, dando-nos a idéia de continuidade.

A vida, a realidade e toda condição humana existem e existirão antes e depois de cada história contada e experimentada, valendo a reflexão do que se quer deixar registrado, percebendo e respeitando os momentos para recolhimento que propiciam o aprendizado.

Um comentário em “PAUSA.”

  1. Oi! Participo de um blog sobre a Clarice Lispector e fiz um post linkando o seu blog. tudo bem? 🙂

    Adorei esse espaço, voltarei mais vezes.

    Um abraço!

    O blog é: haia-lispector.blogspot.com

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